Salar de Uyuni e La Paz

Os últimos dias foram agitados…

Primeiro, pelo tour pelo deserto boliviano, para ver (entre muitas outras coisas…) o Salar de Uyuni.

Depois, pela tentativa, frustrada, de chegar a Sucre.

Começando pelo Tour, com partida de Tupiza e chegada a Uyuni.

Pelo meio? Quatro dias, três noites e 1000 kms de paisagens únicas.

6 pessoas dentro de um Toyota Land Cruiser, durante 4 dias? Sim, e de forma tranquila e bem disposta.

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Alfredo, o condutor, um boliviano típico, baixo, reservado e sempre a mascar folhas de coca.

Verónica, a cozinheira. Reservada, atenta e mulher do Alfredo.

Emily e Richard, um jovem casal, ela americana e ele inglês.

Allen, um australiano de origem croata.

E eu, claro.

Equipa 5 estrelas. Correu tudo bem.

O tour incluía  3 refeições por dia, alojamento e … a possibilidade de ver montes, vales, animais, povoados e, claro, o Salar de Uyuni.

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Comida? Pequeno-almoço com panquecas, pão, café, leite, dulce de leche, compotas, bolo… excelente, sempre.

Almoço e jantar com frango assado, panados, bolonhesa, pique macho (prato típico boliviano, com carne, salsichas, cebola, batatas fritas … bem picante), saladas, sopa de legumes (à noite), e um sem número de cuidados, como sumos ou iogurte  a meio da manhã, e chá, bolachas e pipocas (acabadas de fazer. Bem boas que eram…), enquanto esperávamos, ao final do dia, pelo jantar.

Tudo isto, juntamente com a bilha de gás, era carregado e descarregado (com a nossa ajuda) do jeep para as cozinhas (onde existem fogões e fornos) dos abrigos que fomos utilizando.

Já os abrigos, em si, são isso mesmo… abrigos. Pequenas casas, algures no meio do percurso. Nada de luxos, bem entendido. E é preciso notar que, por estas bandas, tomar banho é um luxo.

Mas a viagem valeu a pena.

Paisagens muito, muito bonitas.

Montanhas, vales, desertos, lagoas coloridas, gueisers, quase sempre à volta dos 4000 e muitos metros de altitude (com uma subida aos 5000 metros).

Ver o nascer e o pôr-do-sol sobre estas paisagens e, por fim, visitar o Salar de Uyuni.

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O salar, com os seus 11000 metros quadrados de sal, cerca de 110 metros de profundidade, e com ilhas pelo meio, é impressionante.

Na última noite, todo o abrigo era feito de sal; do chão, aos tijolos das paredes, das mesas às camas. Engraçado!

Mas claro que foi cansativo, porque os caminhos são de terra, cheios de pedras, e as camas nos abrigos são duras…

Foi, de facto, uma experiência única.

Chegado a Uyuni, pensei ficar uma noite, mas depois de alugar um quarto (por menos de 4 €uros…),tomar um banho quente e dar uma volta pela cidade (que não tem nenhum tipo de atractivo), decidi seguir, nesse mesmo dia, pelas 20:00, para Sucre, esta sim uma cidade, fundada pelos espanhóis e património da humanidade, com muito para ver.

Acompanhado da minha manta, porque depois da viagem anterior, ando sempre com uma na mochila, lá segui para Sucre. Viagem normal, até termos parado ao fim de umas horas. Nada de estranho (pelo menos, para mim), já que estava a dormir. Mas pela manhã, e com a confusão que se instalou, percebi que havia algo de errado. E o errado foi que a estrada estava bloqueada pela polícia. Isto porque, uns kms mais à frente, populares tinham bloqueado a estrada com pedras para reclamar mais escolas e pontes (por aquilo que fui ouvindo dizer aos bolivianos que seguiam no autocarro). Carros ligeiros, camiões e autocarros, não passava ninguém.

Depois de andar por ali um bocado, ouvi um tenente da polícia (e na Bolívia,  um tenente da polícia anda de sapatos de corrida New Balance, calças de fato de treino e casaco camuflado…) dizer que não podia garantir a segurança de ninguém nos kms seguintes, e que existia quem se aproveitasse destas confusões para fazer roubos, pelo que decidi voltar para o autocarro. Nesta fase, já os “turistas” estavam todos juntos, 3 escoceses, 3 dinamarqueses, uma mexicana, um israelita e eu, a decidir o que fazer. Decisão foi, e aproveitando o facto de alguns autocarros estarem a voltar para a cidade mais perto – Potosi -, tentar entrar num deles. Lá voltei para trás, e decidi seguir directo para La Paz, para onde já estava previsto ir depois de passar uns dias em Sucre. No terminal de autocarros comprei um bilhete para La Paz (partida pelas 22:00) e, como tinha tempo, fui visitar o centro da cidade.

Ando com jeito para “protestos”, porque na praça principal estava a decorrer uma manifestação de mineiros…

De volta ao terminal, acabei por ficar na conversa com um sueco que ia seguir à mesma hora para a Argentina.

Mas ainda tive tempo para reencontrar um francês, com quem já me cruzei 3 vezes (Puerto Madryn, San Pedro de Atacama e Potosi), e um espanhol, que já não via desde Ushuaia (depois de termos estado no mesmo hostel em Puerto Madryn e de termos feito visita ao Parque Nacional, em Ushuaia, juntos) e que também vinha para La Paz, no mesmo autocarro que eu… Quando nos despedimos, na Argentina, combinámos que, na próxima oportunidade, íamos tomar umas “cañas”, por isso, provavelmente, hoje vamos beber uma cerveja juntos.

Entretanto, lá chegámos a La Paz sem sobresaltos. Nos próximos dias vou dar uns passeios por aqui, para conhecer a cidade.

Claro que correr na capital mais alta do mundo, com os seus cerca de 3600 metros de altitude, continua a não ser boa ideia. Pela altitude, mas também pela confusão caótica que é a cidade, por aquilo que já vi.

Vou ter de arranjar maneira, com a brevidade possível, de recuperar as corridas em atraso.

Tenho é de descobrir como, quando e onde, porque nos próximos tempos vou andar sempre pelas “alturas”. Mas com certeza que alguma solução se vai arranjar.

Por isso,

Até breve…

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San Pedro de Atacama, altitude 2500 metros (Parte II)

Dizia eu, até onde a internet chilena me deixou, que provei Mote con huesillo (sumo de pêssego, um pêssego desidratado dentro e trigo para comer no final). Aqui fica uma foto do aspecto (um pouco mais apresentável do que o que eu bebi/comi).

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O aspecto pode não ser o melhor, mas gostei.

Sem entrar em grandes detalhes, visitei (acho eu…) tudo o que havia a visitar em San Pedro de Atacama. Deserto, lagoas e geisers. E vi flamingos, guanacos, vacunos, alpacas, lamas, raposas e gaivotas.

Ficam algumas fotos.

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Tudo muito bonito!

Mas estava na hora de deixar o Chile e seguir para a Bolívia. Por isso, tratei de arranjar viagem até Uyuni e depois até Tupiza, onde me encontro.

Objectivo? Fazer um tour de 4 dias que me levará a conhecer toda a parte boliviana do deserto, nomeadamente o famoso Salar de Uyuni.

Não sei se terá sido a melhor opção, porque a viagem foi, desde que saí de casa, a mais dura que passei. Muito, muito dura.

Saída de San Pedro de Atacama pelas 8 da manhã, cumprir as formalidades da fronteira (lado chileno), que foram realizadas logo ali na cidade. Seguiu-se uma viagem de hora e meia, num autocarro, até à fronteira com a Bolívia (já a 4500 metros de altitude). Finalmente, não sei quanto tempo depois, encontrei um Português, aqui no posto de fronteira. Posto fronteiriço do mais rústico que pode haver…

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Próximo passo, entrar para um Toyota Land Cruiser e fazer viagem até às 7 da tarde, por estradas(?) de terra batida, passando por montes, vales, ribeiros… tudo o que se possa imaginar, para me fazer “chocalhar os ossos” de uma maneira terrível.

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Foi uma verdadeira aventura, que incluiu auxilio a um outro 4×4 a quem saltou uma roda, almoço preparado (pelas mesmas mãos, não lavadas, que auxiliaram o arranjo da roda) e comido perto de uma lagoa com uma vista espectacular e, para acabar, um furo.

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Não satisfeito, decidi seguir de autocarro, nesse mesmo dia, para Tupiza. Saída às 20h e chegada por volta das três e meia da manhã. Autocarro velho, com um frio quase insuportável, porque de noite o frio é muito e o autocarro parecia um frigorífico, e mais “chocalhar de ossos” e pó por todo o lado. Arrependi-me tanto, tanto… Por isso, passei quase um dia e meio a dormir (entre a noite e sestas).

A mochila ficou assim…Image

Agora vou colocar o meu protector 50 e dar uns mergulhos, porque preciso de relaxar para me preparar amanhã, ou Sábado, para fazer um tour. Gostei tanto de viagens 4×4, que agora vou fazer uma viagem de 4 dias num!

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Nota final para dois novos donativos.

Um que veio dos Estados Unidos, com os Souza a doarem 20 Usd por mês para o Wounded Warrior Project. Vou ter de fazer 3 kms mensais …

Outro do Rui Ressurreição, para o Movimento ao Serviço da Vida. Tenho de dar “30 passos”…

Obrigado a todos.

Até breve, ainda por terras bolivianas.

San Pedro de Atacama, altitude 2500 metros (Parte I)

O titulo do post também podia ser: “Novo record batido”. Estive nos 5 mil metros de altitude, pela primeira vez.

Depois de sair de Valparaiso, e de me ter despedido de Santiago, segui para norte, para San Pedro de Atacama. Depois das (já) normais 20 horas de autocarro, cheguei. Cansado, mas expectante. É que, depois de ter lido “As Rosas do Atacama” do Luis Sepúlveda, fiquei com vontade de cá vir (por isso, leiam o livro e arrisquem-se a ficar com a mesma vontade…Mas depois não digam que a “culpa” é minha).

Claro que, quando as expectativas são altas, normalmente, ficamos um pouco desiludidos quando, finalmente, podemos concretizar a visita. Não me aconteceu. Trazia expectativas altas e, mesmo assim, achei tudo absolutamente deslumbrante.

Cheguei para ficar 3 dias e fiquei 5. Fiz os clássicos tours pelas redondezas e gostei, gostei muito.

Visitei a Laguna Cejar, com lagoas salgadas, onde, por causa da densidade do sal (7 vezes superior à do mar), se pode flutuar. Paisagem (especialmente com a luz do pôr-do-sol) deslumbrante e experiência única.

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Depois fui, pelas 7 da manhã, ver as Lagunas Altiplanicas. Volta maior, onde conheci 4 brasileiros super simpáticos, gente boa mesmo. Para mais, ficaram solidários com o “estado” da minha máquina fotográfica e, além de me tirarem um montão de fotos, ainda se disponibilizaram a dar-me as cópias.

As Lagunas Altiplanicas ficam quase a 5 mil metros de altitude.

E aqui faço uma pequena nota para dizer que um “tuga”, nascido e criado ao nível do mar, não está preparado para estas altitudes. Segredo é, como dizem por aqui, andar lentitocomer poquito. Abandonei rapidamente o meu passo habitual, porque qualquer caminhada de 10 minutos me deixava quase ofegante. Isto a 2500 metros… Fácil de imaginar como fico a 4000 e a 5000 metros. Além de que pode ser perigoso para a saúde. Por isso, corridas por aqui, nem pensar. Vou arranjar maneira, mais tarde, de fazer as (muitas) corridas que preciso de fazer.

Voltando ao tour… Para chegar ao destino final passámos por mais lagoas, desta vez com uma imensidão de sal à volta, cheiro a enxofre e com … flamingos.  A paisagem é de ficar sem palavras.

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Depois seguimos para um pequeno pueblo, ver a igreja local e as hortas com favas, milho, batatas e pequenos tomates.

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… e depois, sim, as espectaculares Lagunas Altiplanicas.

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O vulcão está a 5600 metros de altitude, e é muito engraçado reparar que acima dos 5000 metros nada cresce. Respirar aqui? Muito difícil.

A seguir ainda passámos por mais um pueblo, onde estava a acontecer uma pequena feira/festa.

Provei, finalmente (já tinha visto em Santiago, mas não tive “coragem” de experimentar…), porque é refrescante e nutritivo, o Mote con huesillo (sumo de pêssego, um pêssego desidratado dentro e trigo para comer no final). Muito bom.

Manhã muito bem passada, esta. Pela companhia, pelas paisagens deslumbrantes.

E o dia continuou … mas como a internet não funciona e não consigo carregar mais fotos, conto-vos o resto logo que possível…

Até breve, comigo já na Bolívia, para onde vou amanhã.

Santiago – Valparaíso – Santiago

Depois de passar uns dias em Santiago, foi tempo de ir até Valparaíso.

Cidade junto à costa, Património da Humanidade, um ex-libris do Chile.

Fui, recomendado pela Amanda e o Eduardo, e fiquei num hostel simpático. Era para ter ficado 3 noites. Fiquei 5… Gostei do local e achei melhor não viajar durante o fim de semana da Páscoa. Não me arrependi.

Cidade cresceu do porto para os morros envolventes. Colorida, desordenada, mas bonita.

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Tinha prometido uma corrida à Amanda e ao Eduardo (que me enviou sugestão de percurso e tudo…),  pela doação que fizeram ao Grupo de Apoio à Criança Carente com Câncer. Fiz a corrida, sofrida, porque com a partida na Plaza Sotomayor em direcção à casa-museu Pablo Neruda, é sempre a subir , mas a subir bem, nos primeiros 1500 mts.

As pernas andam fracas para estas “aventuras”, mas a promessa ficou cumprida. Corridos 6,5 Kms (apesar do registo mostrar menos um km, porque na última paragem para fotos não fiz “start” no relógio…)

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Passei os dias a subir e a descer “montes”, a ver miradouros, casas coloridas, murais… a passear.

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Entretanto, ainda fui visitar Vinã del Mar, mesmo ali ao lado, mais moderna, com praia, mas sem o encanto de Valparaíso.

Experimentei novas comidas. Peixe grelhado, ceviche.

Novas bebidas (e que boas…), pisco sour, terramoto.

Um destes dias, quando voltar, organizo uma tarde de comidas e bebidas sul americanas. Pode ser que apareçam destemidos interessados em provar.

Regressei a Santiago, por dois dias, e amanhã sigo para São Pedro de Atacama, para ver o famoso deserto e lagos da região.

Depois? Bom, depois vou mudar novamente de país e seguir até à Bolívia.

Quando estiver por São Pedro de Atacama, vou estar quase no mesmo paralelo de Assunção, no Paraguay, por onde comecei a viagem na América do Sul, no inicio de Fevereiro.

Estou, por isso, já em contagem decrescente para voltar.

E continuo sem encontrar portugueses… apesar de já me ter cruzado com pessoas de tantos países, ainda nada de “tugas”.

flags… e, se calhar, ainda me escapa algum país.

Entretanto, fiquei a saber que o HealhClub Gingko (no Taguspark) está a convidar os seus membros a fazer uma doação para OIS Associação. Para mim fica a parte de correr uns kms. Vamos ver quantos, mas sejam quantos forem, serão feitos com prazer.

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Vou continuar a dar novidades por aqui. Assim a internet o permita.

Até breve.

PS: Vamos ver como vão sair as fotos daqui para a frente. É que a máquina fotográfica teve um “acidente” e ficou assim. Funciona, só que agora está no modo “apontar, tirar foto e depois logo se vê”…

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Hola Santiago, Hola Chile…

Depois de me despedir de Mendoza e da Argentina, com um jantar de “assado de tira”, a ver na TV a Argentina ganhar à Venezuela por 3-0, estava na hora de entrar para um autocarro e seguir viagem para Santiago, no Chile.

Tudo normal com a viagem.

Tive foi a hipótese, ainda que de muito longe, de ver o Monte Aconcágua (6960,8 metros de altitude, sendo simultaneamente o ponto mais alto das Américas, de todo o Hemisfério Sul e o mais alto fora da Ásia).

A viagem valeu pela travessia dos Andes, pelo avistar ao longe do Aconcágua e, depois, pela descida da cordilheira, cheia de curvas e contracurvas, efectuada já do lado chileno.

Aconcágua lá ao longe...

Aconcágua lá ao longe…

28 curvas destas, sempre a descer...

28 curvas destas, sempre a descer…

Chegado a Santiago, foi seguir na direcção do Hostel, localizado no bairro Bellavista. Bares, restaurantes, teatros? É tudo por aqui.

A Casa de Santiago, onde Pablo Neruda viveu, é a dois quarteirões. Restaurante onde parava habitualmente é aqui mesmo ao lado.

Toda esta zona foi visitada no Sábado.

Domingo, logo de manhã, fui até ao Parque Metropolitano de Santiago, mesmo aqui ao lado, e podia fazer 3 coisas: subir ao Santuario Inmaculada Concepción, ver as vistas sobre a cidade e tentar perceber se poderia fazer por lá uma corrida.

Dúvidas sobre corrida ficaram esclarecidas logo que me aproximei da entrada. Era só gente a correr e de bicicleta, a começar a entrar no Parque. E não eram centenas dentro do Parque, mas seguramente milhares. Cheguei a pensar se haveria algum tipo de prova a decorrer.

Subi no Funicular, para começar a ver as paisagens (e se o Pápa João Paulo II andou nele, quando por cá esteve em 1987, eu também queria experimentar).

A chegada ao cume e ao Santuário é rápida.

A paisagem é bonita. Até a poluição sobre a cidade lhe dá uma certa graça…

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IMGP2434 IMGP2436planoPMS_webCerto é que andei o Parque de uma ponta à outra. Ir e voltar… Foi uma bela caminhada. E cumpri todos os objectivos.

Ontem de manhã voltei para fazer uma corrida. Já sabia que me esperavam 5,5 kms a subir, e a subir bem…

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Muito pouca gente no Parque, se comparado com o dia anterior, por isso a corrida foi em modo solitário. Dura a subida, mas boa a descida.

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Vou marcar esta corrida como sendo a que a Christina Procópio Decastro patrocinou, fazendo doação para a Alzheimer Portugal. Obrigado, Chris.

Depois aproveitei para conhecer um pouco mais de Santiago, andando a pé, na direcção do Mercado Central  e vendo as ruas das redondezas (tudo muito movimentado…).

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Claro que, como estava na hora de almoço, tive de provar um dos pratos típicos da comida chilena, “cazuela de vacuno”. Pode não ter muito bom aspecto, mas é bom. Como que uma sopa de cozido, mais leve, e composta por carne de vaca, arroz, batata, abóbora, feijão verde, milho, salsa e, eventualmente, algo mais que não me tenha apercebido.

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Gostei!

Agora vou continuar a conhecer Santiago, porque se aproxima a hora de seguir para a costa, até Valparaíso.

Até breve.

Adios Argentina

Nem acredito que amanhã vou deixar a Argentina. Talvez fique mais um dia, ainda não sei.

Certo é, que daqui sigo para Santiago, no Chile.

Hoje, posso dizer que este país maravilhoso me surpreendeu por completo. É lindo e tem tudo, mas tudo (indústria, agricultura, pescas, turismo e pessoas boas, capazes) para ser um Grande país.

Recordo, já com alguma saudade, as Cataratas do Iguazu, Buenos Aires, Puerto Madryn (muitas…), Ushuaia, El Calafate, El Chaltén, Bariloche (muitas…). E Mendoza. Que bonita que é esta cidade. 

Ontem fui dar uma volta a pé. Avenidas, ruas, praças, tudo muito arranjado, bonito, organizado.

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E entretanto chego, com a ajuda de um mapa, a um parque… Enorme, bonito, com vias pedonais, ciclovias,estátuas, lagos. Adorei.

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Mesmo bom para passear … e correr.

Por isso, hoje de manhã, equipei-me e fui até lá. 30 minutos a andar e depois 13 kms a correr.

Tudo dentro do parque… onde se pode encontrar um campo de golfe, um clube de ténis, de remo, um centro hípico, parques infantis, um anfiteatro (para 22.000 pessoas…) e um estádio de futebol. Por aqui se pode ver o tamanho do parque!

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Mas tinham-me falado num tal de “Cerro da Glória”, que fica numa das pontas do parque, de onde se podia avistar a cidade e as montanhas aqui à volta. Achei boa ideia ir até lá a correr, apesar de terem feito uma cara de “caso” quando falei desta minha ideia. Percebi mais tarde porquê! Aquilo é subir, subir, subir … (e não é semelhante a subir passeios, como alguns amigos gostam de fazer…).

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Mas valeu a pena. Tem uma bela vista sobre a cidade e um monumento ao General San Martin (libertador da Argentina).

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Um pequeno aparte para falar sobre nomes… Aqui é comum dar o nome de um herói da guerra da libertação, ou de alguém que tenha feito algo relevante pela Argentina, a alguma coisa. 

Perito Moreno (explorador e “Pai” do primeiro Parque Nacional) tem ruas, avenidas, praças, glaciar, cidade, tudo com o seu nome…

Rivadavia (primeiro Presidente da República) tem ruas, avenidas, praças e cidade…

General Roca (herói de guerra e, mais tarde, Presidente)… o mesmo.

Eva (Evita) Perón?? tudo e mais alguma coisa, incluindo esfinge nas novas notas de 100 pesos.

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A Sra. da imagem é a Presidenta (é assim que lhe chamam…), Cristina Kirchner, e o falecido marido (também ele ex-presidente) já tem nome em alguns edifícios (vi pelo menos uma escola nova com o seu nome…).

“Coisas” das democracias sul americanas.

Vou só falar, mais um pouco, de algo que me espantou e que aproveitei…

Existe uma cotação oficial para o Dólar Americano e depois existe … a cotação paralela (ou Dólar blue, como lhe chamam). Tudo normal! Toda gente sabe que o “paralelo” é ilegal…

Mas se o câmbio oficial é de 1 Dólar para 5 Pesos, o blue paga 8 pesos por cada Dólar. É uma diferença abismal, por isso troquei (juntando o máximo de dólares possíveis, com um colombiano, um americano e um suíço) tudo o que tinha. Pena tenho de não ter trazido mais dólares.

Agora ficaram a pensar, “ai o malandrão, a fomentar o mercado paralelo…”. Calma. É ilegal, mas a cotação pode ser vista no jornais, e li hoje que a Presidenta, face ao aumento do valor do blue, apelou a quem transacciona dólares para pensar na “Nação”… Estamos entendidos quanto a ser ilegal, certo?

Cotação do Dólar "informal" no jornal. Então mas não é ilegal?

Cotação do Dólar “informal” no jornal. Então mas não é ilegal?

Voltando à corrida. Perna está quase ok, e gostei de voltar a pisar a estrada. O corpo já me andava a pedir exercício.

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Voltas e mais voltas e ficou feita a corrida.

Vou “marcar” estes 13 kms como sendo a corrida que o Durval Gonçalves Santos patrocinou, fazendo doação para a Liga Portuguesa contra o Cancro. Obrigado, “Durva”.

Nota final para a mensagem que me chegou do Brasil. A Amanda e o Eduardo, simpático casal de estudantes, de Recife, que conheci na minha primeira noite em Buenos Aires, decidiram fazer uma doação de 25 Reais para o Grupo de Apoio à Criança Carente com Câncer. Enorme abraço de obrigado para os dois. Fica a promessa de fazer a “tal” corrida em Valparaiso, no Chile.

 Até breve.

Histórias…

Andar a viajar proporciona momentos únicos.

Pelo que se aprende, observando. Vivendo uma nova (ou diferente, no mínimo…realidade. Quase dois meses depois de sair de casa, é natural que existam histórias, vou-lhes chamar, inesquecíveis.

Por isso, de vez em quando, vou partilhar …

Momentos…da viagem.

Um destes dias, ao ver algumas fotos antigas, lembrei-me de um desses momentos.

De facto, foram duas “histórias”. Mas de uma tenho fotografia, de outra não. Não, porque não me atrevi a tirar fotografia.

Ambas se passaram em Montevideu, Uruguai.

E já passou um mês…

A primeira, da qual não existe registo fotográfico, passou-se quando ia a caminhar pela cidade. Perto da Câmara Municipal, um edifício grande, vermelho, emblemático na cidade e, por isso, vigiado pela policia.

Vou a andar e vejo dois policias, daqueles todos “artilhados”, grandes, com coletes à prova de arma, óculos escuros, vestidos de negro, com as armas em punho. Até aqui tudo normal. O que achei mesmo engraçado, porque me apanhou desprevenido, foi quando se cruzaram e se cumprimentaram. Sim, ver dois “matulões” daqueles cumprimentarem-se com um beijo, foi o que me deixou a rir por dentro. Normal por estas paragens, eu sei. Mas inesperado para mim…

Ainda pensei tirar-lhes uma foto (pedindo, é claro), mas o “ar de maus” fez-me seguir rapidamente (a rir…).

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A outra história passou-se num Domingo. Sei que foi Domingo, porque é dia de quase tudo estar fechado. Lembro-me de que andei bastante até encontrar um café/restaurante aberto para comer qualquer coisa. Lá encontrei um, comi já não sei exactamente o quê… e pedi um café no fim. Cortado, como bebo normalmente por aqui, ou seja, com um pouco de leite. Até aqui tudo normal. O espanto veio depois quando me trazem uma bandeja com café, copo de sumo de laranja (pequeno, tipo shoot), água com gás (em copo também pequeno), natas, bolinho, rebuçado e … pipocas!Image

Bem, olhei para aquilo tudo e pensei, “Então mas agora faço como? Existe alguma ordem para seguir?”. Resolvi a questão olhando para as mesas em redor e vendo como um sr., já de idade, fazia.

Segui a sequência à risca. Os americanos dizem que “When in Rome, do it like the romans!”, e pareceu-me bem fazer isso. Com adaptações, porque sou português… passei a parte do bolinho (que era de claras de ovo), das natas e das pipocas.

Mas bebi o café, depois o sumo e a água no final.

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Entretanto, já estou em Mendoza, depois da viagem de autocarro que me trouxe de Bariloche, ainda não devidamente instalado, mas já a tratar de saber como dar umas voltas pela cidade e redondezas.

Até breve.