Tag Archives: Corrida

Praia e montanha, novamente…

Os dias em Máncora serviram para descansar, correr e fazer um pouco de praia.

Sobre praia e descanso não há muito a dizer. Bom, de facto, sobre as corridas, também não. Mas ficaram feitas algumas das que estavam “agendadas”.

Image

PS: Por favor, não fazer comentários aos tempos, ok?

Fiz as corridas da Ana Marques, Ana Jorge Branco, Richard & Paula Souza, Restaurante Cartaxeiro e Susana Albuquerque.

Lentas, porque as pernas andam sem treino, e porque correr na areia é duro e torna tudo mais lento. Entre areia mole, pés molhados, tirar fotos, olhos a arder pela mistura de suor e protector solar, e calor, o importante é que ficaram feitas.

Valeu por isso, pelo “passeio pela praia” e pelos banhos no final das corridas.

ImageImage

Image

E claro, todos os dias que corri, acabei por ter de lavar os sapatos de corrida, porque ficavam encharcados em água salgada….

Image

Gostei de Máncora, com o seu estilo de vida “chinelo no pé”, a praia, os pequenos restaurantes (onde comi o melhor ceviche da viagem).

Mas estava na altura de seguir. Por isso, avancei para o Equador.

Em vez da tradicional viagem de autocarro, desta vez fiz duas! Uma de Máncora para Guayaquil (já no Equador), feita de noite (com saída pela 21 e chegada às 3:30), e daqui para Quito (partida pelas 6 e chegada às 14:30).

Viagem cansativa, mas que me permitiu ir vendo as paisagens do Equador.Tudo muito verde, tropical… E lá fui subindo, até chegar aos 2820 metros de Quito.

Destaque (especialmente para um coleccionador de autocolantes de bananas… sim, aqueles pequenos autocolantes colados nas bananas dão uma bonita colecção!) para as enormes plantações de bananas. Já posso dizer que vi plantações da Dole e da Chiquita. Mas há muita fruta à venda pela estrada fora… bananas, ananás, maracujá, melancia, morangos.

Outras notas do Equador.

Nem sei qual o nome da moeda local, mas os dólares americanos são a moeda corrente. E a vida é barata. Ontem, sem procurar muito, jantei por 2,5 dólares. Uma espetada, batatas assadas, salada e uma coca-cola.

Hoje ia subir num teleférico até ao cimo de uma das montanhas que rodeiam a cidade. Acordei e mudei de planos. Está coberto de nuvens, por isso a viagem ia ser em vão.

Image

Alternativa é ir dar um passeio pela zona histórica da cidade, que é mesmo aqui ao lado.

Amanhã vou tentar ir até “Equador latitude 0º, 0´, 0´”… ou como chamam por aqui “Mitad del Mundo”. Dizem que sobre a linha do equador se pesa menos…

Até breve.

Anúncios

Machu Picchu, “histórias III”, donativos e corridas…

Hoje espero, finalmente, conseguir falar sobre tudo isto.

Primeiro, Machu Picchu. Talvez um dos locais mais bonitos onde já estive nesta viagem, e digo talvez, porque não me consigo esquecer da beleza das Cataratas de Iguazu, do glaciar Perito Moreno ou de Bariloche. Isto de fazer rankings tem sempre algo de injusto… por isso, vou resistir à tentação de fazer um “top 5” (muito ao estilo do John Cusack, num dos meus filmes favoritos, High Fidelity).

Tinha várias hipóteses para subir até Machu Picchu (desde caminhadas de vários dias até visita – partindo de Cusco – de um dia). Acabei por optar por ir de comboio num dia, dormir em Aguas Calientes (cidade ponto de entrada para a montanha), subir o mais cedo possível, e regressar ao fim da tarde a Cusco.

Tratei de tudo com uma agência (comboio, alojamento e entrada na montanha), deixei ficar a mochila no Hostel, em Cusco, e lá fui eu com uma muda de roupa.

Comecei por sair atrasado do Hostel (ficaram de me vir buscar às 8:40 para ir de carrinha até à estação de onde parte o comboio, mas horários para sul americanos é coisa que não existe, por isso vieram buscar-me quase às 9:30), e depois de uma viagem de 1:30 numa carrinha apinhada de “Gringos” (e aqui, qualquer estrangeiro é um gringo…), claro que cheguei atrasado à estação em  Ollantaytambo (onde já tinha estado quando visitei o Vale Sagrado dos Incas). Poucos minutos, mas atrasado. O comboio tinha partido e agora diziam-me que não podia trocar o bilhete. Mau, fiquei a pensar que, pela primeira vez em 4 meses, alguma coisa não ia correr bem. Liguei (várias vezes) para a agência, de onde me acabaram por dizer que a alternativa era comprar novo bilhete (cerca de 50 Usd) e que depois seria reembolsado. Não acreditei muito na parte do reembolso, mas não tinha alternativa.

Lá apanhei o comboio e segui, durante uma hora e pouco, até Aguas Calientes.

Image

Pequena nota para falar dos preços dos bilhetes. Existem carruagens para “locais” e para “estrangeiros”. Carruagens iguais e preços diferentes. Um local paga algo como 3 Usd, e um estrangeiro cerca de 50 Usd… Mas não há outra maneira de chegar a Macchu Picchu (a não ser que se vá a pé durante uns dias…). Acabei por ficar contente por SÓ cobrarem este valor, senão lá teria de pagar mais…

Cheguei a Aguas Calientes, que vive só do turismo, e fui até uma espécie de piscinas naturais de água  quente… Fiquei “de molho” até estar todo enrugado, mas soube mesmo bem.

Image

Tratei depois de ir levantar o bilhete de autocarro (para subir até “lá acima”, já que tinha decidido descer a pé), e da entrada em Machu Picchu. Bom, mas era 1 de Maio e não foi possível. Mas lá me informaram que o podia fazer no dia seguinte, às 5:30 da manhã. Nada de grave para quem gosta de se levantar cedo, e como queria subir o mais cedo possível… até calhou bem.

Conclusão, 6:30 (depois de 25 minutos a subir de autocarro), estava a entrar em Machu Picchu.

E tudo aquilo impressiona, e muito!

Image

Image

ImageImage

Image

Image

Image

Image

Image

Image

Image

Uma hora e meia para descer até Aguas Calientes por um caminho assim… Lindo!

Image

Foi um dia muito bem passado, daqueles que não se esquecem nunca mais.

PS: e sim, fui reembolsado do valor do bilhete do comboio. Muito bom.

PS I: fiquei com pena de não ter uma máquina fotográfica em condições. No mínimo sem ter o visor partido…

______________________________________________________________________

“histórias III”

Tenho reparado, e já há algum tempo que queria escrever sobre isto, que, especialmente, na Bolívia e no Peru, os carros, camiões e autocarros são quase todos asiáticos. E se marcas como, Toyota, Nissan, Hyundai, são comuns na Europa, que dizer de marcas como Changfeng, Chery, Dongfeng, Great Wall, Zhongxing. É que por aqui são comuns…

Vou tentar perceber melhor, nos próximos dias, o porquê….

Outra forma de transporte comum na Bolívia e no Peru são (nem sei como chamar-lhe…) as moto-táxi(?). Utilizadas por toda a gente para trajectos pequenos, são baratas e resultam. Aqui em Máncora andei numa muito parecida com a da foto.

Image

________________________________________________________________________________

Donativos

A Família Correia Marques/Rosa, fez um donativo de 70 €uros para a MovApLar- Movimento de Apoio a Laringectomizados.

Obrigado pela doação.

____________________________________________________________________________

Corridas

Hoje fiz mais uma corrida. Corrida que a Ana Marques me pediu que fosse feita hoje, no dia de aniversário de um familiar.

Saí pelas 7 e pouco, e como não é viável correr na estrada, fui até à praia tentar fazer 10 kms.

Muito protector solar 50 em cima, e lá fui eu.

E, pela primeira vez, desde que estou na América do Sul, corri na praia. Não que eu goste, porque não gosto, mas sem melhor alternativa, teve de ser. Claro que foi dura e mais lenta, mas nem tudo é mau. Acabar a corrida e dar uns mergulhos na praia, é excelente!

Image

Image

Agora vou descansar e dar uns mergulhos, que amanhã tenho mais uma corrida para fazer.

Até breve.

Adios Argentina

Nem acredito que amanhã vou deixar a Argentina. Talvez fique mais um dia, ainda não sei.

Certo é, que daqui sigo para Santiago, no Chile.

Hoje, posso dizer que este país maravilhoso me surpreendeu por completo. É lindo e tem tudo, mas tudo (indústria, agricultura, pescas, turismo e pessoas boas, capazes) para ser um Grande país.

Recordo, já com alguma saudade, as Cataratas do Iguazu, Buenos Aires, Puerto Madryn (muitas…), Ushuaia, El Calafate, El Chaltén, Bariloche (muitas…). E Mendoza. Que bonita que é esta cidade. 

Ontem fui dar uma volta a pé. Avenidas, ruas, praças, tudo muito arranjado, bonito, organizado.

Image

Image

Image

E entretanto chego, com a ajuda de um mapa, a um parque… Enorme, bonito, com vias pedonais, ciclovias,estátuas, lagos. Adorei.

ImageImageImage

Image

Mesmo bom para passear … e correr.

Por isso, hoje de manhã, equipei-me e fui até lá. 30 minutos a andar e depois 13 kms a correr.

Tudo dentro do parque… onde se pode encontrar um campo de golfe, um clube de ténis, de remo, um centro hípico, parques infantis, um anfiteatro (para 22.000 pessoas…) e um estádio de futebol. Por aqui se pode ver o tamanho do parque!

ImageImage

Image

Mas tinham-me falado num tal de “Cerro da Glória”, que fica numa das pontas do parque, de onde se podia avistar a cidade e as montanhas aqui à volta. Achei boa ideia ir até lá a correr, apesar de terem feito uma cara de “caso” quando falei desta minha ideia. Percebi mais tarde porquê! Aquilo é subir, subir, subir … (e não é semelhante a subir passeios, como alguns amigos gostam de fazer…).

Image

Image

Mas valeu a pena. Tem uma bela vista sobre a cidade e um monumento ao General San Martin (libertador da Argentina).

Image

Um pequeno aparte para falar sobre nomes… Aqui é comum dar o nome de um herói da guerra da libertação, ou de alguém que tenha feito algo relevante pela Argentina, a alguma coisa. 

Perito Moreno (explorador e “Pai” do primeiro Parque Nacional) tem ruas, avenidas, praças, glaciar, cidade, tudo com o seu nome…

Rivadavia (primeiro Presidente da República) tem ruas, avenidas, praças e cidade…

General Roca (herói de guerra e, mais tarde, Presidente)… o mesmo.

Eva (Evita) Perón?? tudo e mais alguma coisa, incluindo esfinge nas novas notas de 100 pesos.

Image

A Sra. da imagem é a Presidenta (é assim que lhe chamam…), Cristina Kirchner, e o falecido marido (também ele ex-presidente) já tem nome em alguns edifícios (vi pelo menos uma escola nova com o seu nome…).

“Coisas” das democracias sul americanas.

Vou só falar, mais um pouco, de algo que me espantou e que aproveitei…

Existe uma cotação oficial para o Dólar Americano e depois existe … a cotação paralela (ou Dólar blue, como lhe chamam). Tudo normal! Toda gente sabe que o “paralelo” é ilegal…

Mas se o câmbio oficial é de 1 Dólar para 5 Pesos, o blue paga 8 pesos por cada Dólar. É uma diferença abismal, por isso troquei (juntando o máximo de dólares possíveis, com um colombiano, um americano e um suíço) tudo o que tinha. Pena tenho de não ter trazido mais dólares.

Agora ficaram a pensar, “ai o malandrão, a fomentar o mercado paralelo…”. Calma. É ilegal, mas a cotação pode ser vista no jornais, e li hoje que a Presidenta, face ao aumento do valor do blue, apelou a quem transacciona dólares para pensar na “Nação”… Estamos entendidos quanto a ser ilegal, certo?

Cotação do Dólar "informal" no jornal. Então mas não é ilegal?

Cotação do Dólar “informal” no jornal. Então mas não é ilegal?

Voltando à corrida. Perna está quase ok, e gostei de voltar a pisar a estrada. O corpo já me andava a pedir exercício.

Image

Voltas e mais voltas e ficou feita a corrida.

Vou “marcar” estes 13 kms como sendo a corrida que o Durval Gonçalves Santos patrocinou, fazendo doação para a Liga Portuguesa contra o Cancro. Obrigado, “Durva”.

Nota final para a mensagem que me chegou do Brasil. A Amanda e o Eduardo, simpático casal de estudantes, de Recife, que conheci na minha primeira noite em Buenos Aires, decidiram fazer uma doação de 25 Reais para o Grupo de Apoio à Criança Carente com Câncer. Enorme abraço de obrigado para os dois. Fica a promessa de fazer a “tal” corrida em Valparaiso, no Chile.

 Até breve.

Agora é seguir sempre para norte…

Deixei Ushuaia e estou em El Calafate.

Mas antes de partir, começando o caminho para norte, fui visitar o Parque Nacional da Terra do Fogo. Mesmo ali ao lado da cidade, por isso a viagem de autocarro é rápida. Depois? Bem, depois é caminhar…

Image

Fiz o trilho mais a Sul, passando junto à costa e vendo as duas baías e o Canal Beagle. E segui até ao final da “Ruta 3” … 3079 kms de Buenos Aires até aqui.

O parque é natureza pura, com vistas e paisagens deslumbrantes.

Image

Image

Image

Image

Image

Image

Image

Image

ImageImage

Chega de fotografias, senão nunca mais acabava o post…

Foi um dia muito bem passado, depois de ter estado “fechado” no hostel, por causa da chuva. E ficava a faltar um dia para vir para El Calafate… de avião (sim, quebrei a “promessa” de não voar, mas relação preço/poupança do corpo/tempo de viagem valeu a pena…).

E a corrida em Ushuaia? Bem, essa é outra história. Não muito feliz.

Saí bem cedo, por isso com bastante frio… (as montanhas à volta da cidade estavam brancas da neve…).

Image

Talvez pelo cansaço da caminhada do dia anterior, do frio, do começo rápido… ou de qualquer outra coisa, por volta do km 3, senti o gémeo da perna esquerda a ceder (ruptura, contractura… alguma “ura” foi de certeza). Parei e tentei perceber o que se passava. Segui novamente para ver se passava a dor e, por volta do km 4,5, … ficou impossível de continuar. Parei e decidi seguir aquela máxima dos corredores de “ouvir o corpo”. Neste caso, ouvi e eram gritos a dizer “pára”…

Caminhei de volta para o hostel, tomei banho, amuei durante um bocado (especialmente por não fazer a “prometida” corrida da “Maltinha da Aroeira”), e entretanto … passou-me. Agora é esperar uns dias e fica tudo bem. Faço nova corrida pela “Maltinha…” e fica tudo resolvido.

Esta não vale para as "contas"...

Esta não vale para as “contas”…

Entretanto, vou tratar de ver como é El Calafate e como vou até aos glaciares, e isso tudo.

Até breve.

Facturas? sim, sff. E muitas…

Tenho seguido, a espaços, e com a ajuda do Público (e das redes sociais), o que se passa em Portugal e no Mundo.

E acompanhei, com algum espanto, o que se passou com as “facturas”.

Mas, eu, que estou longe aqui na Argentina, gosto de facturas. Aliás, não há dia que não peça, pelo menos, “una factura”. É que, são boas. Mesmo boas!

O telemóvel é só para dar ideia do tamanho de uma "factura"

O telemóvel é só para dar ideia do tamanho de uma “factura”

Uma factura é um bolo, com massa fofa e coberto com geleia de fruta, doce de leite, pedaços de fruta, creme, creme e coco (como no caso da foto…) e muitas outras variações. Experimentei todos os que vi e os de doce de leite são assim tipo bomba atómica calórica de tão doces. Até um guloso como eu tem de respirar fundo e ganhar coragem para comer um e não ficar com remorsos.

Ontem, quando fui visitar a Península Váldes, levei dois na mochila. Só para ter aquele conforto de saber que podia fazer um lanche quando tivesse fome.

A Península Váldes é área natural protegida e foi declarada Património da Humanidade pela UNESCO em 1999.

E é absolutamente deslumbrante. Foi uma verdadeira surpresa.

Fazer 400 kms de carro num dia, mas ter visto paisagens únicas, animais como Lamas, Emas, Carneiros, Raposas, Tatus, Pinguins,  Elefantes e Lobos marinhos, fizeram valer a viagem. Ficaram a faltar as Orcas que andam por aí, mas que ontem não foram avistadas. E as Baleias, que aparecem por aqui a partir de Junho e ficam até Dezembro.

Image

Image

Image

Image

Image

Image

Se a isto juntarmos uma paisagem desértica, sem uma única árvore e vistas deslumbrantes, temos um dia muito, muito bem passado.

 ImageImage

Image

O guia que nos acompanhou era uma pessoa interessante, muito “batido” nestas coisas. Sempre pronto para responder a todas as questões. Gostei de saber de onde vem o nome Patagónia, porque os Ingleses andaram por estes lados (e o porquê das Malvinas), conhecer a história de Puerto Madryn (fundada por Galeses), e perceber a economia da cidade (que vive de uma fábrica de alumínio, do mármore, da pesca e, claro, do turismo).

Gostei particularmente da cidade, pequena, bonita, organizada, com mar e onde, por aquilo que consegui ver, as pessoas vivem com um ar feliz.

Mas está na hora de seguir.

Amanhã vou para Rio Gallegos (o que é que são 17 horas dentro de um autocarro para mim actualmente? pouco.), onde chego pelas 7 da manhã de Sábado. Espero duas horas e apanho outro autocarro para o destino final, Ushuaia (mais 12 horas? é um instante…).

Mas, hoje, em jeito de despedida, e porque tinha combinado com a Susana Albuquerque (que fez uma generosa doação para a Legião da Boa Vontade. Obrigado, Susana.), fiz uma corrida de 10 kms. Das melhores que já fiz, desde que comecei a viagem. Fim de tarde, um pouco de vento, temperatura agradável e as pernas a responderem bem. Muito bom.

puertomadryn

Ficam algumas fotos…

Final de tarde em Puerto Madryn

Final de tarde em Puerto Madryn

ImageAté breve.

Assim vão as coisas pela Argentina…

Sábado foi dia de despedida de Buenos Aires. Check-out e últimos passeios pela cidade, antes de partir pelas 22:30 em direcção a Bahia Blanca.

Gostei muito de Buenos Aires. Cosmopolita, uma cidade que faz jus à fama que tem. Muitos pontos de interesse, com história, boa para passear, segura e com boa comida. Vale, sem dúvida, a visita por uns dias.

Mas estava na altura de partir.

Pequena nota para algo que me tem surpreendido. Todas as cidades têm um terminal de autocarros (ou, Terminal Omnibus, como lhe chamam por aqui). A cidade pode ser pequena ou grande, mas todos os terminais são modernos, ao verdadeiro estilo de aeroportos… mas de autocarros.

E autocarros, não faltam. Em Buenos Aires, o Terminal Retiro tem 75 pontos de partida, e as saídas são constantes, gerando um movimento que eu não esperava. O tamanho da Argentina, a oferta de destinos e o preço das viagens aéreas, explicam o “fenómeno”.

Retiro tem 75 pontos destes, com movimento constante.

Retiro tem 75 pontos destes, com movimento constante.

Por isso, segui até Bahia Blanca. 9 horas dentro de um autocarro começa a ser rotina e, de facto, estou a começar a ficar habituado. Desta vez resolvi viajar de noite. Poupei um dia de estadia e dormi durante a viagem. Correu tudo bem, tirando o facto de ter mudado de autocarro, quase a chegar a Bahia Blanca, por uma avaria qualquer (eu estava a dormir, acordaram-me e mudei de autocarro em modo zombie, ou seja, tenho uma vaga ideia do que aconteceu. O que acho que foi bom…).

Cheguei a Bahia Blanca (mais um bom terminal omnibus…) por volta das 8 da manhã e, depois de arranjar um mapa da cidade, segui a pé até ao hostel.

Eu que, duma maneira geral, gosto de todos os locais por onde passo, não gostei de Bahia Blanca. Não consigo explicar bem porquê, mas o facto de ser domingo, estar tudo fechado, não haver pessoas na rua e o hostel ser mau, são provavelmente boas razões.

Por isso, quando parti, pelas 6 da manhã de segunda-feira, estava contente.

... quase a caminho de Puerto Madryn.

… quase a caminho de Puerto Madryn.

Contente por ir embora e por estar a caminho de Puerto Madryn.

Pensei, inicialmente, seguir até Rawson (um pouco mais a Sul), mas a leitura do meu “livro de viagens” da Lonely Planet fez-me mudar de estratégia. “Puerto Madryn é a porta de entrada para a Península Valdés“, li algures no livro e isso fez-me querer ficar por aqui uns dias.

Toda a península é um Parque Nacional

Toda a península é um Parque Nacional

Um Parque Nacional famoso por se avistarem baleias (infelizmente, não nesta altura do ano), orcas, pinguins, focas e leões marinhos. É ou não um bom motivo para ficar por cá?!

E a escolha foi acertada.

A cidade é muito bonita, com uma baía enorme, praia, uma avenida ao longo da praia (ideal para correr…).

E até já tenho tudo tratado para fazer, amanhã, um tour pela Península.

Hoje aproveitei e fui fazer uma corrida. Por uma série de razões. Porque tenho corrido pouco, porque tenho “agendadas” uma série de corridas patrocinadas (e sei que mais vêm a caminho…) e porque a tal avenida junto à praia é perfeita para correr.

Por isso, de manhã, tomei o pequeno almoço e fui correr (e tirar fotos, claro).

Já faz muito menos calor e pelas 10h ainda se sentia aquele frio da manhã. Bom para correr, em todo o caso.

... fui até ao pontão.

… fui até ao pontão.

... vi barcos a serem colocados na água.

… vi barcos a serem colocados na água.

... a praia.

… a praia.

E fui correndo, correndo, até chegar ao fim da praia, onde se avista um ponto alto. Decidi continuar e ainda bem que o fiz.

Porque toda aquela zona é um “ponto histórico”. Muito bem sinalizado (fiquei a saber que a cidade foi fundada por galeses, por volta de 1865, que desembarcaram ali e que viveram, durante 2 anos, numa espécie de grutas/cabanas – cujos buracos, ainda se podem ver nas rochas) e com uma vista espectacular para a cidade, mas também para a baía seguinte.

Image

Image

Image

Corrida muito boa esta de hoje e que vou “marcar” como sendo a corrida que a Cassiana Bruel patrocinou fazendo uma doação para a Liga Portuguesa contra o Cancro.

Image

Até breve.

Adios Chicos…

Os “portenõs” despedem-se assim, com um “adios chico”. Por isso, e como estou de partida para Sul, depois de ficar mais um dia em Buenos Aires do que tinha planeado inicialmente, está a chegar a hora de dizer “adios chicos” a Buenos Aires…

Mas não sem antes fazer a inevitável corrida na cidade.

Esta corrida foi a primeira que me foi pedida, gentilmente patrocinada pelo Nuno Constâncio, que fez uma doação para a Acreditar. E fez-me um pedido específico… “correr 10 kms, acabar no estádio “La Bambonera” e depois ver um jogo do Boca Juniors…”

Na altura, pareceu-me bem… mas isto de viajar sem conhecer os locais leva a “desventuras”. E este foi um (… o primeiro, felizmente) desses casos. Porquê? Enquanto estive em Buenos Aires, o Boca Juniors nunca jogou em casa. Até aqui a “coisa” até dava para resolver… Corria até lá e pronto (não há jogo, não há nada a fazer). Mas a “desventura” continuou… Como? Ontem preparei-me para correr cedo, estudei o mapa, meti uns pesos no bolso para o caso de me perder, liguei o GPS e lá fui eu à aventura. Corria, ia confirmando o destino mentalmente… tudo ia tranquilo até fazer uma “esquerda” em vez de uma “direita”… e segui em direcção a Puerto Madero. Bom para correr … mas estava a ir em sentido contrário a La Boca!

Visto assim até parece fácil chegar a "Boca"

Visto assim até parece fácil chegar a “Boca”

Ora como temos de ter capacidade de improvisação, e para não voltar para trás … e correr o risco de me perder novamente, decidi seguir e fazer 10 kms.

Em Puerto Madero

Em Puerto Madero

Puerto Madero é uma zona nova da cidade, assim muito o “Parque das Nações”, em Lisboa. Moderna, com mistura de serviços e habitação. Bonita.

Image

Image

Foram daqueles 10 kms, citadinos, do pára-arranca, com barulho, confusão, mas que deram para conhecer um pouco mais da cidade. Pena não ter sido a parte certa da cidade. Por isso, Nuno Constâncio, se me estás a ler, desculpa não ter conseguido realizar o pedido (pelo menos na parte que me era possível…). Vou começar a correr com GPS, mapa e bússola (é capaz de ser o melhor…). Isso, e fazermos uma corrida juntos quando voltar para Lisboa, que tal?

La Boca

La Boca

... super turístico

… super turístico

É que correu tudo “tão bem”, que voltei mais tarde a “La Boca”, tirei fotos e ia até ao “La Bambonera” tirar uma foto. Ir até lá, eu fui, e era o mínimo que podia fazer. Fotos? Pois, para completar o dia fiquei sem bateria na máquina! Muito bom, nada como um dia em que tudo corre bem. Parece quase o scketch dos Gato Fedorento (a minha vida dava um filme indiano), quando um deles diz “o dia até me estava a correr bem…”.

Nota final para agradecer os muitos contactos que vou recebendo por email, mensagens de Facebook e através do blogue. Obrigado a todos e uma saudação especial para a Amanda e Eduardo. Foi bom ter tido noticias vossas.

“Hasta”… e daqui para a frente não sei quando será (por causa da Internet). Em breve, eu espero…