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Praia e montanha, novamente…

Os dias em Máncora serviram para descansar, correr e fazer um pouco de praia.

Sobre praia e descanso não há muito a dizer. Bom, de facto, sobre as corridas, também não. Mas ficaram feitas algumas das que estavam “agendadas”.

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PS: Por favor, não fazer comentários aos tempos, ok?

Fiz as corridas da Ana Marques, Ana Jorge Branco, Richard & Paula Souza, Restaurante Cartaxeiro e Susana Albuquerque.

Lentas, porque as pernas andam sem treino, e porque correr na areia é duro e torna tudo mais lento. Entre areia mole, pés molhados, tirar fotos, olhos a arder pela mistura de suor e protector solar, e calor, o importante é que ficaram feitas.

Valeu por isso, pelo “passeio pela praia” e pelos banhos no final das corridas.

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E claro, todos os dias que corri, acabei por ter de lavar os sapatos de corrida, porque ficavam encharcados em água salgada….

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Gostei de Máncora, com o seu estilo de vida “chinelo no pé”, a praia, os pequenos restaurantes (onde comi o melhor ceviche da viagem).

Mas estava na altura de seguir. Por isso, avancei para o Equador.

Em vez da tradicional viagem de autocarro, desta vez fiz duas! Uma de Máncora para Guayaquil (já no Equador), feita de noite (com saída pela 21 e chegada às 3:30), e daqui para Quito (partida pelas 6 e chegada às 14:30).

Viagem cansativa, mas que me permitiu ir vendo as paisagens do Equador.Tudo muito verde, tropical… E lá fui subindo, até chegar aos 2820 metros de Quito.

Destaque (especialmente para um coleccionador de autocolantes de bananas… sim, aqueles pequenos autocolantes colados nas bananas dão uma bonita colecção!) para as enormes plantações de bananas. Já posso dizer que vi plantações da Dole e da Chiquita. Mas há muita fruta à venda pela estrada fora… bananas, ananás, maracujá, melancia, morangos.

Outras notas do Equador.

Nem sei qual o nome da moeda local, mas os dólares americanos são a moeda corrente. E a vida é barata. Ontem, sem procurar muito, jantei por 2,5 dólares. Uma espetada, batatas assadas, salada e uma coca-cola.

Hoje ia subir num teleférico até ao cimo de uma das montanhas que rodeiam a cidade. Acordei e mudei de planos. Está coberto de nuvens, por isso a viagem ia ser em vão.

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Alternativa é ir dar um passeio pela zona histórica da cidade, que é mesmo aqui ao lado.

Amanhã vou tentar ir até “Equador latitude 0º, 0´, 0´”… ou como chamam por aqui “Mitad del Mundo”. Dizem que sobre a linha do equador se pesa menos…

Até breve.

Machu Picchu, “histórias III”, donativos e corridas…

Hoje espero, finalmente, conseguir falar sobre tudo isto.

Primeiro, Machu Picchu. Talvez um dos locais mais bonitos onde já estive nesta viagem, e digo talvez, porque não me consigo esquecer da beleza das Cataratas de Iguazu, do glaciar Perito Moreno ou de Bariloche. Isto de fazer rankings tem sempre algo de injusto… por isso, vou resistir à tentação de fazer um “top 5” (muito ao estilo do John Cusack, num dos meus filmes favoritos, High Fidelity).

Tinha várias hipóteses para subir até Machu Picchu (desde caminhadas de vários dias até visita – partindo de Cusco – de um dia). Acabei por optar por ir de comboio num dia, dormir em Aguas Calientes (cidade ponto de entrada para a montanha), subir o mais cedo possível, e regressar ao fim da tarde a Cusco.

Tratei de tudo com uma agência (comboio, alojamento e entrada na montanha), deixei ficar a mochila no Hostel, em Cusco, e lá fui eu com uma muda de roupa.

Comecei por sair atrasado do Hostel (ficaram de me vir buscar às 8:40 para ir de carrinha até à estação de onde parte o comboio, mas horários para sul americanos é coisa que não existe, por isso vieram buscar-me quase às 9:30), e depois de uma viagem de 1:30 numa carrinha apinhada de “Gringos” (e aqui, qualquer estrangeiro é um gringo…), claro que cheguei atrasado à estação em  Ollantaytambo (onde já tinha estado quando visitei o Vale Sagrado dos Incas). Poucos minutos, mas atrasado. O comboio tinha partido e agora diziam-me que não podia trocar o bilhete. Mau, fiquei a pensar que, pela primeira vez em 4 meses, alguma coisa não ia correr bem. Liguei (várias vezes) para a agência, de onde me acabaram por dizer que a alternativa era comprar novo bilhete (cerca de 50 Usd) e que depois seria reembolsado. Não acreditei muito na parte do reembolso, mas não tinha alternativa.

Lá apanhei o comboio e segui, durante uma hora e pouco, até Aguas Calientes.

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Pequena nota para falar dos preços dos bilhetes. Existem carruagens para “locais” e para “estrangeiros”. Carruagens iguais e preços diferentes. Um local paga algo como 3 Usd, e um estrangeiro cerca de 50 Usd… Mas não há outra maneira de chegar a Macchu Picchu (a não ser que se vá a pé durante uns dias…). Acabei por ficar contente por SÓ cobrarem este valor, senão lá teria de pagar mais…

Cheguei a Aguas Calientes, que vive só do turismo, e fui até uma espécie de piscinas naturais de água  quente… Fiquei “de molho” até estar todo enrugado, mas soube mesmo bem.

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Tratei depois de ir levantar o bilhete de autocarro (para subir até “lá acima”, já que tinha decidido descer a pé), e da entrada em Machu Picchu. Bom, mas era 1 de Maio e não foi possível. Mas lá me informaram que o podia fazer no dia seguinte, às 5:30 da manhã. Nada de grave para quem gosta de se levantar cedo, e como queria subir o mais cedo possível… até calhou bem.

Conclusão, 6:30 (depois de 25 minutos a subir de autocarro), estava a entrar em Machu Picchu.

E tudo aquilo impressiona, e muito!

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Uma hora e meia para descer até Aguas Calientes por um caminho assim… Lindo!

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Foi um dia muito bem passado, daqueles que não se esquecem nunca mais.

PS: e sim, fui reembolsado do valor do bilhete do comboio. Muito bom.

PS I: fiquei com pena de não ter uma máquina fotográfica em condições. No mínimo sem ter o visor partido…

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“histórias III”

Tenho reparado, e já há algum tempo que queria escrever sobre isto, que, especialmente, na Bolívia e no Peru, os carros, camiões e autocarros são quase todos asiáticos. E se marcas como, Toyota, Nissan, Hyundai, são comuns na Europa, que dizer de marcas como Changfeng, Chery, Dongfeng, Great Wall, Zhongxing. É que por aqui são comuns…

Vou tentar perceber melhor, nos próximos dias, o porquê….

Outra forma de transporte comum na Bolívia e no Peru são (nem sei como chamar-lhe…) as moto-táxi(?). Utilizadas por toda a gente para trajectos pequenos, são baratas e resultam. Aqui em Máncora andei numa muito parecida com a da foto.

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Donativos

A Família Correia Marques/Rosa, fez um donativo de 70 €uros para a MovApLar- Movimento de Apoio a Laringectomizados.

Obrigado pela doação.

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Corridas

Hoje fiz mais uma corrida. Corrida que a Ana Marques me pediu que fosse feita hoje, no dia de aniversário de um familiar.

Saí pelas 7 e pouco, e como não é viável correr na estrada, fui até à praia tentar fazer 10 kms.

Muito protector solar 50 em cima, e lá fui eu.

E, pela primeira vez, desde que estou na América do Sul, corri na praia. Não que eu goste, porque não gosto, mas sem melhor alternativa, teve de ser. Claro que foi dura e mais lenta, mas nem tudo é mau. Acabar a corrida e dar uns mergulhos na praia, é excelente!

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Agora vou descansar e dar uns mergulhos, que amanhã tenho mais uma corrida para fazer.

Até breve.

“Histórias”

Hoje vou falar de outras coisas, pequenas impressões que vou recordando da viagem.

Como,por exemplo, da Marinha da Bolívia.

Resumindo, no Séc. XIX, o Chile, depois de ganhar a “guerra” (que ficou conhecida como a Guerra do Pacífico) à Bolívia e ao Peru (que combatiam aliados), e à Argentina (ainda hoje existem disputas sobre parte do deserto do Atacama, rico em minerais…), anexou-lhes parte do território. Quem mais perdeu foi a Bolívia que ficou sem acesso ao mar.

As zonas sombreadas foram anexadas pelo Chile.

As zonas sombreadas foram anexadas pelo Chile.

Mas a Bolívia mantém uma orgulhosa Marinha de Guerra, que mais não faz do que patrulhar metade do Lago Titicaca (já que a outra metade pertence ao Peru). Impecavelmente fardados de branco (só não tirei fotos, porque já se sabe que nestas coisas com militares o melhor é estar quieto…), mas (tanto quanto consegui ver) somente com umas lanchas “mal amanhadas”. Navios? Não vi.

Li, num jornal em Copacabana, que o Presidente Evo Morales foi até Haia, ao tribunal internacional, apresentar uma queixa contra o Chile. Objectivo? Recuperar o território anexado pelo Chile há cerca de 150 anos atrás. Para mim, pareceu-me propaganda pura, já que a tal acção contra o Chile provocou um enorme movimento de união na Bolívia.

Outra coisa que me chamou a atenção e me deixou a pensar…

Toda gente na Bolivia, e também no Peru, masca folhas de coca. A pergunta é, onde é que cultivam a coca? Porque, depois de atravessar a Bolívia  e de ter feito parte do Peru, ainda não vi uma única plantação de coca. Bom, em algum lado a devem plantar, eu é que ainda não a vi…

Mas vi culturas de favas, milho, trigo, batatas e quinoa. Até provei a sopa de quinoa e é boa. Outras “especialidades” peruanas são o “porquinho da índia” frito e/ou assado, e a Inca Cola. Claro que tinha de provar. Gostei.

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De resto, os últimos dias foram passados a ver o Lago Titicaca (a cerca de 3800 metros acima do nível do mar), do lado boliviano e peruano. Muito bonito.

Curioso, também, o facto de continuar a encontrar-me com outros viajantes, que fui conhecendo durante a viagem. Ontem foi a vez de me reencontrar com Ben, um australiano, que conheci no hostel em Buenos Aires há dois meses atrás….

Agora estou em Cuzco, no Peru, a tentar perceber como vou fazer para ir ver Machu Picchu. A seguir vou para Lima, já ao nível do mar, o que me permitirá voltar a correr.

Até breve.

PS: Estou a organizar-me para actualizar os registos de doações que foram feitas entretanto. No próximo post trato dessa parte. A internet está muito lenta, por isso coloco poucas fotos…

San Pedro de Atacama, altitude 2500 metros (Parte II)

Dizia eu, até onde a internet chilena me deixou, que provei Mote con huesillo (sumo de pêssego, um pêssego desidratado dentro e trigo para comer no final). Aqui fica uma foto do aspecto (um pouco mais apresentável do que o que eu bebi/comi).

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O aspecto pode não ser o melhor, mas gostei.

Sem entrar em grandes detalhes, visitei (acho eu…) tudo o que havia a visitar em San Pedro de Atacama. Deserto, lagoas e geisers. E vi flamingos, guanacos, vacunos, alpacas, lamas, raposas e gaivotas.

Ficam algumas fotos.

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Tudo muito bonito!

Mas estava na hora de deixar o Chile e seguir para a Bolívia. Por isso, tratei de arranjar viagem até Uyuni e depois até Tupiza, onde me encontro.

Objectivo? Fazer um tour de 4 dias que me levará a conhecer toda a parte boliviana do deserto, nomeadamente o famoso Salar de Uyuni.

Não sei se terá sido a melhor opção, porque a viagem foi, desde que saí de casa, a mais dura que passei. Muito, muito dura.

Saída de San Pedro de Atacama pelas 8 da manhã, cumprir as formalidades da fronteira (lado chileno), que foram realizadas logo ali na cidade. Seguiu-se uma viagem de hora e meia, num autocarro, até à fronteira com a Bolívia (já a 4500 metros de altitude). Finalmente, não sei quanto tempo depois, encontrei um Português, aqui no posto de fronteira. Posto fronteiriço do mais rústico que pode haver…

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Próximo passo, entrar para um Toyota Land Cruiser e fazer viagem até às 7 da tarde, por estradas(?) de terra batida, passando por montes, vales, ribeiros… tudo o que se possa imaginar, para me fazer “chocalhar os ossos” de uma maneira terrível.

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Foi uma verdadeira aventura, que incluiu auxilio a um outro 4×4 a quem saltou uma roda, almoço preparado (pelas mesmas mãos, não lavadas, que auxiliaram o arranjo da roda) e comido perto de uma lagoa com uma vista espectacular e, para acabar, um furo.

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Não satisfeito, decidi seguir de autocarro, nesse mesmo dia, para Tupiza. Saída às 20h e chegada por volta das três e meia da manhã. Autocarro velho, com um frio quase insuportável, porque de noite o frio é muito e o autocarro parecia um frigorífico, e mais “chocalhar de ossos” e pó por todo o lado. Arrependi-me tanto, tanto… Por isso, passei quase um dia e meio a dormir (entre a noite e sestas).

A mochila ficou assim…Image

Agora vou colocar o meu protector 50 e dar uns mergulhos, porque preciso de relaxar para me preparar amanhã, ou Sábado, para fazer um tour. Gostei tanto de viagens 4×4, que agora vou fazer uma viagem de 4 dias num!

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Nota final para dois novos donativos.

Um que veio dos Estados Unidos, com os Souza a doarem 20 Usd por mês para o Wounded Warrior Project. Vou ter de fazer 3 kms mensais …

Outro do Rui Ressurreição, para o Movimento ao Serviço da Vida. Tenho de dar “30 passos”…

Obrigado a todos.

Até breve, ainda por terras bolivianas.

Montes, Glaciar Viedma e novo “record do mundo”…

A última vez que escrevi aqui no blogue foi dia 11/3. Passaram só 4 dias, mas a mim parece-me que foi há tanto, tanto tempo. É que muito aconteceu, desde então.

Fui desde El Calafate até El Chaltén (onde a internet, virtualmente, não existia…), deixando para trás o Glaciar Perito Moreno e o Lago Argentino. Viagem pequena, de quase 300kms.

El Chaltén é considerada a “capital argentina do trekking”… e eu, com o gémeo a recuperar.

A cidade é pequena, mas linda. 1000 habitantes, e sempre (pelo menos…) outros tantos visitantes. Todos para fazer caminhadas, maiores ou menores, pelos montes que circundam a cidade.

Monte Fitz Roy, quase 3400 mts, e o principal atractivo da cidade.

Monte Fitz Roy, quase 3400 mts, e o principal atractivo da cidade.

Além do “Cerro Fitz Roy”, os outros atractivos da cidade são: o “Cerro Torre” e o Lago e Glaciar Viedma.

Fiz uma caminhada pequena, 1:30 na ida e 1:00 na volta, até um mirador, onde se pode ver a “Laguna Torre” mais de perto (o trilho completo leva 4 horas só na ida, por isso decidi poupar a perna e fiz a “parte pequena” do trilho).

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Valeu a pena a caminhada, especialmente pela paisagem e pelas “vistas”…

O dia acabou com um retemperador “Estofado de cordero“, do melhor que já comi na Argentina.

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No dia seguinte fui até ao Lago Viedma, andar de barco e ver o Glaciar Viedma.

Definitivamente, fiquei fã de glaciares!

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Diferente do “Perito Moreno”, mas muito bonito, especialmente os pedaços de gelo que se soltam e ficam a flutuar no lago.Image

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Depois foi tempo de “refazer” a mochila e partir para San Carlos de Bariloche, de autocarro. Saída às 5 da manhã de dia 14/3 e chegada hoje, 15/3, pelas 8 da manhã. 28 horas dentro de um autocarro? Sim, e o record do mundo batido, novamente.

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Já percebi que vou gostar de “Bariloche”. O Hostel é muito engraçado e a cidade parece uma pequena cidade dos Alpes…

Nos próximos dias falarei sobre a cidade, as caminhadas (e voltas de bicicleta…) e … Nazis. Isso mesmo, Nazis.

Até lá, deixo um agradecimento a todos os que têm a paciência para vir aqui ler os relatos da viagem (ainda sem corridas, mas até essas vão voltar em breve…). Agradecimento, também para todas as mensagens e emails que me enviam (Obrigado D. Elisabete, pelas suas palavras tão simpáticas…).

Até breve.

…e, finalmente, cheguei…

… a Ushuaia.

Foi qualquer coisa como isto.

Saí de Puerto Madryn, como previsto, na sexta-feira (dia 1 de Março). A hora é que não foi a prevista, porque o autocarro chegou com quase quatro horas de atraso. Por isso, por volta das 17 e qualquer coisa lá parti em direcção a Rio Gallegos.

Hora prevista da chegada, antes do atraso, era às 7:00 da manhã do dia seguinte. Com o atraso, ia ser “atirada” lá para as 11 e tal…

E eu que tinha já bilhete de Rio Gallegos para Ushuaia (pelas 8:30 da manhã…), comecei a ver as coisas a ficarem complicadas.

Tentei saber se podia trocar o bilhete, mas como o tinha comprado pela internet, o máximo que consegui foi um nº de telefone para tentar mudá-lo para outro dia (ainda por cima, neste percurso só existe um autocarro por dia). Liguei, de um daqueles locais com cabines individuais, e fiz a pergunta que faço sempre quando preciso de me fazer entender  “Hablas inglés?” e, claro, tive a resposta que tenho sempre “No hablo…”. Muito bem, vamos lá então tentar resolver isto…”portunhol style”!!

...à espera.

…à espera.

Fiquei a saber que sim, podia trocar de bilhete e que o podia fazer no local. Mas também me pareceu entender que não ia haver problema, que conseguia apanhar o autocarro. Não percebi, mas relaxei…tinha 16 ou 17 horas pela frente para pensar nisso.

Aproveitei e fui vendo a paisagem…

... paisagem típica do Sul.

… paisagem típica do Sul.

Comer, dormir, acordar pela manhã e estava quase feita a viagem…

Cheguei a Rio Gallegos por volta das 11:00 e o outro autocarro tinha saído às 8:30, como previsto. Sem pressas e sem esperança, lá fui tentar saber como trocar o bilhete para o dia seguinte. Mas, para minha surpresa, o meu nome constava duma lista de sortudos que iam ser levados de carro até ao autocarro. É que mal tive tempo de esticar as pernas e aí estava eu dentro de um carro a caminho do autocarro, que estava parado na fronteira com o Chile, onde todos os passageiros estavam a tratar da “papelada”. Nunca imaginei que demorassem tanto tempo … Mas implica preencher papeis, revista às malas e à bagagem de mão… É demorado!

Entrada no Chile... é demorado.

Entrada no Chile… é demorado.

Resumindo, lá apanhei o “tal” autocarro para Ushuaia.

O percurso é muito bonito, com paisagens planas a perder de vista. Impressiona pela dimensão e pelo espaço aberto.

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E, entretanto, chegámos ao Estreito de Magalhães!

Para ali é o Oceano Atlântico...

Para ali é o Oceano Atlântico…

... e para ali, o Oceano Pacifico.

… e para ali, o Oceano Pacifico.

Travessia foi feita neste ferry.

Travessia foi feita neste ferry.

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Depois, foi seguir sempre para Sul, não sei quantas horas, quantas paragens, quantas paisagens espectaculares e chegar, por fim (por volta das 23:30), ao fim do mundo, Ushuaia.

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Por isso, para mim, a hora oficial da chegada ao fim do mundo foi às 23:30 de dia 2 de Março de 2013!

Bem, agora vou passear pela cidade, ver se consigo encontrar um percurso para correr por aqui.

Até breve.

 

 

 

 

Assim vão as coisas pela Argentina…

Sábado foi dia de despedida de Buenos Aires. Check-out e últimos passeios pela cidade, antes de partir pelas 22:30 em direcção a Bahia Blanca.

Gostei muito de Buenos Aires. Cosmopolita, uma cidade que faz jus à fama que tem. Muitos pontos de interesse, com história, boa para passear, segura e com boa comida. Vale, sem dúvida, a visita por uns dias.

Mas estava na altura de partir.

Pequena nota para algo que me tem surpreendido. Todas as cidades têm um terminal de autocarros (ou, Terminal Omnibus, como lhe chamam por aqui). A cidade pode ser pequena ou grande, mas todos os terminais são modernos, ao verdadeiro estilo de aeroportos… mas de autocarros.

E autocarros, não faltam. Em Buenos Aires, o Terminal Retiro tem 75 pontos de partida, e as saídas são constantes, gerando um movimento que eu não esperava. O tamanho da Argentina, a oferta de destinos e o preço das viagens aéreas, explicam o “fenómeno”.

Retiro tem 75 pontos destes, com movimento constante.

Retiro tem 75 pontos destes, com movimento constante.

Por isso, segui até Bahia Blanca. 9 horas dentro de um autocarro começa a ser rotina e, de facto, estou a começar a ficar habituado. Desta vez resolvi viajar de noite. Poupei um dia de estadia e dormi durante a viagem. Correu tudo bem, tirando o facto de ter mudado de autocarro, quase a chegar a Bahia Blanca, por uma avaria qualquer (eu estava a dormir, acordaram-me e mudei de autocarro em modo zombie, ou seja, tenho uma vaga ideia do que aconteceu. O que acho que foi bom…).

Cheguei a Bahia Blanca (mais um bom terminal omnibus…) por volta das 8 da manhã e, depois de arranjar um mapa da cidade, segui a pé até ao hostel.

Eu que, duma maneira geral, gosto de todos os locais por onde passo, não gostei de Bahia Blanca. Não consigo explicar bem porquê, mas o facto de ser domingo, estar tudo fechado, não haver pessoas na rua e o hostel ser mau, são provavelmente boas razões.

Por isso, quando parti, pelas 6 da manhã de segunda-feira, estava contente.

... quase a caminho de Puerto Madryn.

… quase a caminho de Puerto Madryn.

Contente por ir embora e por estar a caminho de Puerto Madryn.

Pensei, inicialmente, seguir até Rawson (um pouco mais a Sul), mas a leitura do meu “livro de viagens” da Lonely Planet fez-me mudar de estratégia. “Puerto Madryn é a porta de entrada para a Península Valdés“, li algures no livro e isso fez-me querer ficar por aqui uns dias.

Toda a península é um Parque Nacional

Toda a península é um Parque Nacional

Um Parque Nacional famoso por se avistarem baleias (infelizmente, não nesta altura do ano), orcas, pinguins, focas e leões marinhos. É ou não um bom motivo para ficar por cá?!

E a escolha foi acertada.

A cidade é muito bonita, com uma baía enorme, praia, uma avenida ao longo da praia (ideal para correr…).

E até já tenho tudo tratado para fazer, amanhã, um tour pela Península.

Hoje aproveitei e fui fazer uma corrida. Por uma série de razões. Porque tenho corrido pouco, porque tenho “agendadas” uma série de corridas patrocinadas (e sei que mais vêm a caminho…) e porque a tal avenida junto à praia é perfeita para correr.

Por isso, de manhã, tomei o pequeno almoço e fui correr (e tirar fotos, claro).

Já faz muito menos calor e pelas 10h ainda se sentia aquele frio da manhã. Bom para correr, em todo o caso.

... fui até ao pontão.

… fui até ao pontão.

... vi barcos a serem colocados na água.

… vi barcos a serem colocados na água.

... a praia.

… a praia.

E fui correndo, correndo, até chegar ao fim da praia, onde se avista um ponto alto. Decidi continuar e ainda bem que o fiz.

Porque toda aquela zona é um “ponto histórico”. Muito bem sinalizado (fiquei a saber que a cidade foi fundada por galeses, por volta de 1865, que desembarcaram ali e que viveram, durante 2 anos, numa espécie de grutas/cabanas – cujos buracos, ainda se podem ver nas rochas) e com uma vista espectacular para a cidade, mas também para a baía seguinte.

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Corrida muito boa esta de hoje e que vou “marcar” como sendo a corrida que a Cassiana Bruel patrocinou fazendo uma doação para a Liga Portuguesa contra o Cancro.

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Até breve.